Capítulo 2
Hey gente!!!
Mil desculpas, sou uma péssima autora. Não vou perder tempo com desculpinhas que vocês não tão nem aí... Só vou falar que realmente quase não tive tempo nessas últimas semanas.
Bem, aqui está o capítulo!
《Turqueza》
Caminhando um pouco, achei o apartamento 15A.
Ver a porta de madeira branca e simples na minha frente, apesar de ser igual a todas as outras, fez meu coração disparar.
O fato de que já havia alguém do outro lado, me desesperava.
Mas, na sociedade em que vivemos, primeiras impressões são tudo. Então, respirei fundo, engolindo o medo, sequei as palmas das mãos suadas em meu shorts e destranquei a porta, torcendo para quem quer que fosse a menina com quem eu dividiria o quarto, pelo menos fosse legal.
A porta abriu sem rangidos, revelando um lugar amplo e fresco. Ar condicionado.
O chão era de madeira, as paredes cor de creme. Haviam apenas duas divisórias feitas de concreto, formando assim o banheiro e o resto do encosto da televisão, que isolava parte de... uma cozinha? Eu sabia que as refeições seriam na cantina, então não esperava que até isso nós tivéssemos...
À direita da porta havia essa pequena cozinha, com um armário no canto, uma bancada em L com pia e micro-ondas e na outra quina (aquela formada pela parede-divisória) uma geladeira. Ainda nesse espaço, no centro dele, estava posicionada uma mesa de vidro com duas cadeiras.
Ao lado disso e do banheiro - este localizado atrás - estava uma pequena sala, com um sofá e duas poltronas, uma de cada lado, e presa à parede havia uma TV de tela plana, um móvel em baixo, onde eu podia ver o aparelho de sinal para canais.
A parede do fundo, nessa mesma direção, tinha a única janela, mas era grande, pelo menos. Não poderia haver mais, porque ao lado haviam outros quartos, e não o ar livre.
À esquerda da porta estava a parte do quarto propriamente dito, ou seja, duas camas e armários, com cabeceiras ao lado. Entre as camas, havia um tapete felpudo roxo claro, e naquela mais próxima de onde eu estava, avistei uma garota desfazendo as malas.
(Mostro a vocês a planta do dormitório que eu acabei de descrever. Espero que ajude a localizá-los, pois acho que não fui capaz de fazê-lo bem. Me perdoem por ter sido feito de giz de cera azul... Era aniversário do meu pai e era a única coisa perto de mim. Preguiça de refazer.)

-- Uh.. O-oi.. -- Eu falei, puxando minhas malas para dentro do quarto, batendo meu braço no processo. E aí vai a primeira impressão...
Fechei a porta em seguida, enquanto ela parava de mexer em suas roupas e voltava seu olhar para mim, surpresa.
Ela tinha cabelo castanho-escuro cacheado, comprido até o meio das costas, olhos da mesma cor, e sua pele era morena clara.
Estava usando um short-jeans azul escuro e uma camiseta branca com algum escrito que não consegui ver direito.
-- Oi! Você é minha colega de quarto? -- Ela perguntou sorrindo, depois de recuperado o susto inicial de do nada alguém entrar no lugar. Parecia uma garota simpática, e depois que assenti com a cabeça, ela continuou -- Eba! Eu sou a Sabrina, e espero que você não se importe de eu já ter escolhido o lado... -- Ela falou, referindo-se às camas. -- E você, qual seu nome?
-- É Turqueza. E tudo bem, não tem problema não. Afinal, foi você que chegou primeiro, nada mais justo que isso -- Eu disse com um pequeno sorriso. Conhecer e conversar com gente nova não era meu forte, mas eu me esforçaria.
-- Quer ajuda? -- Me surpreendi com sua oferta, mas recusei mesmo assim.
-- N-não precisa... Eu consigo me virar, mas obrigada!
-- De nada!
Depois de nossa pequena conversa e apresentação, um silêncio estranho caiu sobre o lugar. Coloquei meus pertences do meu lado do dormitório, começando a desempacotar tudo. Na mesinha de cabeceira havia um abajur, e procurando pela tomada onde ele estava conectado, liguei meu carregador, colocando a outra extremidade em meu celular, já sem bateria depois da viagem.
O armário era grande, com cabides, prateleiras e gavetas. Encontrei, dentro de uma parte, uma escrivaninha dobrável, e achei muito bom e prático.
Pensei que esse seria um bom jeito de puxar assunto com a menina.
-- Ei, eh... Sabrina? V-você viu que na última divisão do armário tem isso? -- Perguntei, enquanto mostrava a minha. Assim que as palavras deixaram minha boca, me arrependi, acreditando que havia sido a pior coisa que já havia feito na vida, até que ela me respondeu, segundos depois.
-- Não! Pera... -- Ela disse, enquanto buscava o mesmo item que eu tinha ao lado da cama. -- Achei! Nossa, que legal isso!
E assim, mais uma vez, morreu o assunto. Quase quis me dar um tapa na cara por não acrescentar mais nada, mas o que eu poderia falar? Sobre os livros de fantasia que eu lia?
Algum tempo depois, sentei no colchão, que estava forrado com lençóis brancos e um edredom prateado. Suspirei, pensando na vida.
Olhei ao redor, e lembrei que poderia pedir para meus pais enviarem pelo correio o que eu precisasse. Mas no momento, felizmente, nada vinha à mente.
-- Você... é sempre tão calada assim? -- Sabrina comentou nervosamente, provavelmente com medo da minha reação, mas eu era tranquila. Na maior parte das vezes, pelo menos.
-- U-Uh.. não exatamente. -- Respondi, olhando em sua direção. -- É que eu não costumo conhecer gente nova, venho de uma vila pequena.. e acabo sendo meio tímida no começo. Foi mal..
-- Foi mal pelo quê? Você não fez nada de errado! Eu te entendo, também não sou daqui. E a única pessoa que conheço que veio pra cá é um menino chatão da minha escola antiga... bleh. -- sua reação me fez rir, o que claramente chamou sua atenção.
-- Então estamos quase na mesma, porque vim completamente sozinha! E é a primeira vez que mudo de escola... Acho que dei sorte, você não parece nem um pouco aquelas pessoas metidas ridículas -- falei sorrindo.
-- Eu? Nem um pouco. Odeio gente assim! E você também, parece legal! Acho que vamos nos dar bem, podemos ser amigas!! -- Seu entusiasmo era contagiante, e logo me vi concordando e adorando a ideia. Pelo menos, na falta de mais alguém, já não estaríamos perdidas isoladas de todos ali. Teríamos uma a outra.
Vai ver era para isso que os quartos eram em duplas.
Durante aquele dia, conversamos mais um pouco, sobre coisas aleatórias, enquanto decorávamos o apartamento. Nós duas trouxemos porta-retratos e outras coisas que nos faziam lembrar de casa, e juntas, conseguimos ornamentar bem e harmoniosamente o quarto.
As decorações pendiam para o roxo, azul, verde e rosa, desconsiderando aqueles mais neutros como preto, branco e prateado.
No geral, para algo que duas garotas de quinze anos fizeram, eu curti o resultado.
Eu estava doida para apenas me jogar na cama e dormir, mas um barulho alto vindo de fora me impediu.
Me assustei, não entendendo o que estava acontecendo. Para mim, aquilo parecia alarme de incêndio. Será que algo de errado já tinha acontecido?
Minha colega de quarto riu da minha reação, antes de falar:
-- Ei, calma. Isso é só o sinal da escola. Não tinha isso na sua antiga? -- perguntou, curiosa.
-- A-ah... -- Suspirei, não aguentando e caindo na gargalhada também. -- Eu não tinha. Na verdade, nunca tinha visto um desses... Mas isso não é so pras aulas?
-- Hmm, não sei.
-- Ah! -- exclamei, olhando o horário em meu relógio de pulso. 19:30. -- Já sei, deve ser o jantar... -- Minha respiração se tornou pesada, e precisei me acalmar. Não havia nada de errado... talvez nem tivesse tanta gente ainda. Talvez a comida fosse gostosa como a da minha mãe. Talvez...
-- E aí, você vem? -- Ela enterrompeu meus pensamentos. -- Eu sei onde fica, o refeitório fica aberto quase o dia todo, e hoje de tarde já passei lá para tomar lanche. -- Sabrina segurava a porta, me esperando.
-- Uh huh, acho que sim né... -- disse, levantando da cama e me calçando. Coloquei o celular no bolso traseiro do meu shorts, avançando.
Ao passar pela porta, instantaneamente comecei a suar. Meu cabelo estava solto, e me esforcei para resistir ao ímpeto de voltar para buscar um elástico.
O corredor ela iluminado pelas lâmpadas, e não haviam janelas, pelo mesmo motivo do quarto.
Do lado esquerdo ficavam os quartos das meninas, enquanto do direito, era apenas uma parede branca simples. Alguns quadros a enfeitavam, mas nada demais. Eu sabia que do outro lado havia um corredor igual o que estávamos, pois era o lado masculino.
Descemos a escada que levava a recepção, e vi que outras pessoas também chegavam, tanto pela outra escada quanto dos elevadores. Todos tinham por volta da nossa idade, alunos do Ensino Médio.
Se fossem pessoas que eu não fosse ter muito contato, apenas durante uma curta viagem, eu estaria tranquila. Porém este não era o caso.
Comecei a abrir e fechar meus punhos, como forma de aliviar a tensão.
Eu odiava essa ansiedade que me consumia, sem motivo de existir.
Uma lista de tudo que poderia acontecer de errado começou a se formar em minha mente, e te garanto que haviam inúmeros itens preenchendo-a, a cada segundo aumentando mais. Porém antes de focar muito nela, consegui jogá-la de lado, infelizmente não completamente, ao entrar no refeitório lotado.
Afinal, a atenção no momento deveria ser em não me perder de Sabrina, que ia um pouco na minha frente, abrindo caminho, e em não tropeçar e atrair a atenção de todos.
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