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— Quero, desde o mais profundo do meu coração, que todas as noites, e os seus vislumbres mais charmosos, cheguem até nós. - disse Ruth, de repente.

Então, nesse instante, eu olhei a Rut, sumanente concentrado, pretendendo paixão, desejando esperança e vivendo uma loucura desenfreada. Uma loucura infinita.

Foi exatamente como havia imaginado a parte mais escura do meu ser. A bela Ruth Monsivais me havia feito de repente a mais estranha proposta que eu havia ouvido na minha vida. Ela me pediu que me ficasse vivendo lá. Vivendo com ela, obviamente. Ela disse que, apesar de que os seus fundos, basicamente, saíam dos ganhos do Perfumes de Harém, ela não trabalhava vendendo o seu corpo como as outras mulheres de ali, daquele sombrio lugar. Às vezes ela o fazia, sim, "para que negá-lo", acrescentou ela, sem nenhum pudor, de forma um pouco desavergonhada, sem escrúpulos e enquanto tomava um que otro gole de uísque, um uísque cujo gelo ela fazia tilintar contra uma fina taça. Agora bem, de acordo com ela mesma, Ruth Edith Monsivais foi apenas a proprietária e administradora daquele lugar de perdição e luxúria.

Mas a sua proposta não terminava aí. Ela queria que eu deixasse de trabalhar como programador para ajudar com a gerencia daquele lugar. Pensei, então, durante uns segundos aquela trancendental questão, e joguei um olhar profundo ao redor. Eu me imaginei vivendo lá, vivendo entre as trágicas sombras de um perfume erótico e desvanecente, imaginei o silêncio mais frio e habitado da vida, e a situação a encontrei sombriamente perturbadora. Sim, perturbadora, e isso que eu apenas estava começando a perceber a verdadeira dimensão da tragédia que viviam as mulheres vendiam o seu corpo de mulher naquele lugar. Apenas começava a perceber que aquele bordel escuro projeitava uma sombra decadente e inevitável sobre todas elas. E digo apenas, porque confesso que até esse momento eu não tinha feito outra coisa mais que apartar de mim a fria idéia de que elas eram mulheres desprotegidas, abusadas e escravizadas. Em parte, porque eu não queria ter uma imagem que danasse a branda fantasia na que a ardente e bela Ruth tinha-me levitando.

 — Adrián, o meu querido e amado Adrián, que deseja a sua alma? - me perguntou a Ruth com uma paixão febril e translúcida nos seus olhos de fogo e magia.

 — Eu quero algo de ti... Talvez o amor que está nesses olhos que me observam... Talvez um pouco do passado que eu anseio... Talvez uma peça exclusiva daquele coração que bate com grande força na sua penho... Talvez um pouco do seu carinho de mulher... Talvez um pequeno significado de paixão e vida... Ou talvez ...

Sem esperar que eu terminasse de falar, a bela Ruth me beijou, um beijo úmido e profundo, como nenhum outro nos lábios.

Na manhã seguinte, chegue como um feixe de luz que irradia desejo para me estabelecer definitivamente em Perfumes de Hárem. A minha primeira intenção era observar em grande detalhe como era a vida das lindas mulheres daquele sombrio e erótico lugar. Não demorou muito, porém, para que os meus olhos vissem o despotismo com que a Ruth tratava as suas empregadas, se é que o termo "empregada" é o correto neste caso, embora a verdade eu não sei. Naqueles dias de vertigo infinito eu tampoco estava muito interessado nessa humana e profunda questão. A única coisa que eu parecia entender no momento era que a Ruth tinha me apresentado como "o senhor do lugar". Claro, ela lhes advertiu todas as mulheres do Perfumes de Hárem que eu podia exigir as mesmas coisas que ela exigia. Ela lhes advertiu que a minha autoridade era inquestionável e que os meus desejos deviam ser atendidos e satisfeitos independentemente de qualquer outra coisa, ou seja, sem nenhuma desculpa, caso contrário... A Ruth não terminou a sua ameaça. Ao menos não na minha presença. De qualquer forma, nos meus olhos se adivinhava o brilho implacável de uma pulsão erótica, uma pulsão infinita. Algo muito parecido com os desejos estranhos que um cache de jóias ostentosas e brilhantes, muitas vezes despertam em uns olhos cheios de cobiça.

— Este é o nosso ninho de amor. - disse a Ruth.

Aquele, é necessário dizer, era um quarto iluminado, como todo o bordel, por uma luz sépia e ocre. Um quarto em que havia uma enorme cama de mogno. E sobre a cama, como uma superfície mágica, lisa e doce, uma colcha velmeha de suave veludo cuja sedutora fragrância nublou de um momento para outro o meu cérebro. Sim, um quarto único, um quarto espetacular, um quarto de paixão eterna que ostentava uma decoração muito sensual e perfumada.

Sim, uma vez mais, a Ruth Edith Monsivais tinha cativado a minha curiosidade. A minha curiosidade e o meu desejo de paixão mais incandescente dentro de mim.

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